As cidades e suas infraestruturas: uma agenda de pesquisa
Pensar as infraestruturas urbanas como objeto etnográfico implica desnaturalizá-las da paisagem da cidade, recuando no tempo para compreender sua produção e manutenção cotidianas como processos multiescalares, materiais, políticos e simbólicos, que conectam a vida íntima da casa a grandes processos sociais, políticos e econômicos. A etnografia das infraestruturas desloca, assim, o olhar de uma antropologia da cidade para uma antropologia de sua produção, do cotidiano e do urbanismo, revelando dimensões políticas e poéticas que articulam conflitos, projetos tecnopolíticos e aspirações de futuro. A partir dessa perspectiva, este seminário apresenta pesquisas sobre águas urbanas, cabos de eletricidade e transporte público. Água, energia e mobilidade oferecem entradas distintas para um mesmo conjunto de questões: como se produzem, se sustentam e se disputam as condições materiais da vida urbana? Tomadas em conjunto, essas pesquisas abrem a possibilidade de delinear coletivamente uma agenda urgente para os estudos urbanos.
O seminário terá participação de Camila Pierobon (Docente DA/PPGAS - FFLCH/USP), Marcos Campos (pós-doutorado no NEU-CEBRAP) e mediação de José Guilherme Cantor Magnani (Docente Sênior DA - FFLCH/USP)
Camila Pierobon é Professora no Departamento de Antropologia e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade de São Paulo. Editora Chefe da Revista Ponto Urbe e vice coordenadora do Núcleo de Antropologia Urbana (NAU/USP). Atualmente, coordena a pesquisa “Águas Urbanas: mudanças climáticas, infraestruturas e eventos extremos em cidades brasileiras” (FAPESP: 2024/16187-7). A pesquisa busca compreender a produção das cidades do Rio de Janeiro, Florianópolis e São Luis, a partir de suas águas (potável, chuvas, enchentes e esgoto, além dos rios, mares e baías), visando discutir os efeitos das mudanças climáticas no espaço urbano.
Marcos Campos é etnógrafo e pesquisador de pós-doutorado no NEU-CEBRAP, com bolsa FAPESP. Em 2024, foi pesquisador de pós-doutorado afiliado ao Georg Simmel Center for Urban Studies da Universidade Humboldt de Berlim, Alemanha. Sua pesquisa atual examina como a governança de obras públicas, acidentes, eventos extremos, colapsos e ilegalismos conforma a infraestrutura urbana como um campo temporal disputado, por meio de um estudo etnográfico do sistema ferroviário degradado do Rio de Janeiro.
José Guilherme Cantor Magnani é graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Paraná, Mestre em Sociologia pela Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales (FLACSO), Chile, e Doutor em Ciências Humanas (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo (1982), onde defendeu tese de livre-docência (2010) e de professor titular (2012). Professor titular do Departamento de Antropologia da FFLCH-USP, Magnani atua na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia Urbana. É coordenador do Núcleo de Antropologia Urbana da USP (NAU/USP). Em suas atividades profissionais interagiu com 33 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos.

